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O novo setor da sociedade: Terceiro setor.

*Dalva Figueiredo

Quem melhor identificou o surgimento deste novo setor foi Peter Drucker (1994), que o caracterizou como uma nova esfera da economia, denominado de “economia social”.

O primeiro setor é o Estado e o segundo, a iniciativa privada, ou seja, as empresas. Pode-se destacar que o crescimento das organizações sem fins lucrativos foi grande, e ainda é, devido ao fato de o Estado não conseguir atender toda a demanda dos serviços sociais, sendo que o número de indivíduos que precisa de ajuda também cresce sem parar.

A forma como o debate sobre o terceiro setor vem acontecendo no Brasil traz, em si, uma crítica indireta ao papel do Estado na redução da pobreza e na promoção do desenvolvimento, objetivos estes que seriam realizados de forma mais eficiente pela iniciativa privada.

A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações. Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia, mas as razões por trás desse paradigma não interessam somente ao bem estar social, mas também envolvem melhor performance nos negócios e, conseqüentemente, maior lucratividade.

Segundo Tenório(2004), a partir da década de 80, as Ong’s passaram a se defrontar com uma nova conjuntura. Aliado a isto, houve um descrédito com relação ao destino dado por orgãos governamentais aos recursos alocados para programas e projetos de desenvolvimento social.

A partir desses fatos o número de Ong’s, no Brasil, cresceu desordenadamente e muitas delas com a mesma facilidade com que foram criadas, foram extintas, pois apresentavam limitações, principalmente na área administrativa, desempenho gerencial e profissionalização da equipe.

Segundo dados da ABONG – Associação Brasileira de Ongs, esse é um dos setores que mais cresceu, sendo responsável, hoje, no Brasil, por uma boa fatia dos empregos formais e informais (voluntariado). Estima-se que haja mais de 300 mil associações sem fins lucrativos no nosso país. Porem, existe uma imensa pluralidade e heterogeneidade nessas organizações sem fins lucrativos: igrejas, hospitais, escolas, universidades, associações patronais e profissionais, entidades de cultura e recreação, meio ambiente, de desenvolvimento e defesa de direitos, etc.

A esse número também se somam as instituições criadas pelo Estado, as fundações públicas e outras criadas e vinculadas a empresas privadas, com intuito de administrarem os projetos sociais patrocinados pelas próprias empresas, diante do receio de destinar recursos a instituições que não estavam aptas a geri-los.

A expressão “terceiro setor”, também constantemente utilizada para referir-se às organizações da sociedade civil sem fins lucrativos de uma forma geral, abriga, além das ONGs, outros segmentos com identidades diversas, como entidades filantrópicas, hospitais, sindicatos, associações de moradores e institutos empresariais.

A emergência dos movimentos de ajuda mútua em escala mundial demonstra que o terceiro setor cresce e se fortalece na medida que suas instituições buscam se organizar internamente, capacitando profissionalmente seus integrantes, sejam esses voluntários ou não, e também, procuram mostrar aos seus “stakeholders” a sua capacidade de geração de riqueza, através da implementação de projetos que possam ser reaplicados em diversas outras regiões.

Alguns pontos positivos dessas organizações são a possibilidade de mudança social, a possibilidade de as pessoas trabalharem em prol de uma causa social, o espírito de solidariedade que existe dentro dessas organizações, o espírito de crescimento em conjunto e de participação, o ambiente de trabalho agradável e o fato dessas organizações não serem burocráticas. Alguns pontos negativos são a probabilidade de que elas passem a depender do setor público e até mesmo do setor privado em virtude dos aportes de terceiros, da falta de organização interna e planejamento, fazendo com que a sustentabilidade se torne um ponto frágil e vital para sua existência.

Rubem César Fernandes, idealizador do movimento “Reage Rio” e membro da CIVICUS (Aliança Mundial para a Participação dos Cidadãos), autor do livro “Privado porém Público – O Terceiro Setor na América Latina”, afirma que, na América Latina, o conceito de Terceiro Setor está muito ligado a uma dupla negação: não-lucrativo e não-governamental.

O Terceiro Setor de hoje não é mais aquele que se contrapõe a ações de governos e empresas. As organizações sem fins lucrativos possuem crescentes papéis políticos, econômicos e sociais e muitas delas hoje são modelos de sucesso, capazes de gerar conhecimento, produtividade e transformação social. Mas, há aquelas que, ao contrário dessas, tornaram-se alvo de auditorias e fiscalização por parte de orgãos como o Ministério Público, por utilizarem recursos públicos para fins próprios e enriquecimento ilícito de seus dirigentes.

Para Fernandes, um grande número de organizações informais que possuem peso econômico, mas por não serem “organizações estruturadas” (isto é, formais ou institucionalizadas em alguma medida) são excluídas do contexto do Terceiro Setor Latino-Americano.

Ressaltamos que existe uma estimulação da informalidade em nosso país, na medida que muitas organizações encontram dificuldades colocadas pelo Estado para a sua devida regulamentação, obtenção de benefícios, autorizações, subvenções, fazendo com que essas se tornem irregulares e, dessa maneira, não possam atuar em parceria com o poder público e privado, agindo de maneira isolada ou até mesmo na clandestinidade, sonegando impostos, não evoluindo, desperdiçando esforços com atividades pouco relevantes, que não agregam qualquer valor à sociedade.

O universo em que atuam as organizações do terceiro setor vem trazendo crescentes desafios para o trabalho que desenvolvem e, por isso, é possível concluir que o terceiro setor ainda tem muito para crescer, em tamanho, em conhecimento, em profissionalização, em número de funcionários contratados e, principalmente, em número de pessoas atendidas, em número de projetos executados com impacto na sociedade e, também, no aumento da qualidade de vida da população. Com esse processo de “empoderamento”, logo, cada vez mais profissionais, dentre eles gestores e administradores, serão contratados por essas organizações e, conseqüentemente, esse setor será um campo que se constituirá de trabalhos sólidos e ganhos de eficiência social com a profissionalização da gestão.

*Dalva Figueiredo é Especialista em Administração Estratégica. Consultora na área de Elaboração de Projetos Sociais, Captação de Recursos e Gestão da Responsabilidade Social Corporativa.
 

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